sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Dois Irmãos



Romance tem, como centro do enredo, a história de dois irmãos gêmeos . Yaqub e Omar, o Caçula e suas relações com a mãe, o pai e a irmã. Na mesma casa, localizada em bairro portuário de Manaus, moram Domingas, a empregada da família, e seu filho Nael, um menino cuja infância é moldada pela condição de filho da empregada. Na tentativa de buscar a identidade de seu pai entre os homens da casa, Nael narra os acontecimentos que lá se passam, testemunhando vingança, paixão e relações arriscadas. É por meio de seu ponto de vista que o leitor entra em contato com Halim, o pai, sempre à espera da decisão mais acertada diante dos abismos familiares; com a desmedida dedicação da esposa Zana ao filho preferido Omar; com o trauma de Yaqub, o filho que, adolescente, foi separado da família; com a relação amorosa entre Rânia e seus irmãos; com a vida simples e cheia de renúncias da mãe Domingas.
A história se inicia com a volta de Yaqub, que, por ordem do pai, fora enviado, com treze anos, ao sul do Líbano um ano antes da 2ª Guerra, no intuito de aliviar os atritos entre os irmãos. Considerado frágil e demasiadamente problemático, Omar fica no Brasil, solidificando-se, assim, a superproteção iniciada na infância.
Cinco anos mais tarde, a volta de Yaqub marca a existência de uma nova pessoa: um jovem calado e cheio de mistérios que escondiam os segredos de sua permanência fora do país. Sozinho, segue para São Paulo, onde, recusando a ajuda financeira dos pais, forma-se em Engenharia Civil e se casa de forma misteriosa, comunicando a família por meio de um telegrama. Enquanto Yaqub trilhava os caminhos do sucesso, Omar se perdia em bebedeiras, noitadas e sucessivos escândalos. Ao ser enviado a São Paulo para tentar obter o êxito do irmão, descobre que ele se casou justamente com a jovem Lívia, paixão de ambos desde a infância e causadora de uma séria briga entre os dois. Faz desenhos obscenos nas fotos do álbum de casamento do irmão, apertando ainda mais os laços de inimizade entre os dois. Em seguida, rouba dinheiro do irmão e foge para os Estados Unidos.
Morre Halim e, pouco tempo depois, Omar faz amizade com o indiano Rochiram, que pretendia construir um hotel em Manaus. Zana, na tentativa de unir os filhos e desejosa de que abrissem uma construtora, escreve a Yaqub, que vai à cidade a negócios, ignorando a participação do irmão. Ao sentir-se traído, Omar espanca Yaqub, mandando-o para o hospital. Inicia-se, então, uma verdadeira caçada que se encerra com a prisão e condenação do Caçula a dois anos e sete meses de reclusão.
O indiano Rochiram, vendo seus negócios fracassarem, exige que a irmã dos gêmeos, Rânia, venda a casa em que vivem para pagamento das dívidas. Surge, assim, no local, a Casa Rochiram, uma loja de quinquilharias importadas de Miami e Panamá. Nael fica com um pequeno quadrado no quintal, ao qual Rânia denominou: herança.
Durante todo o desenrolar da história, Nael lutava ao lado da mãe, assoberbado, sem muito tempo para os estudos. Sente-se, com isso, injustiçado. Nunca desistiu de arrancar dos membros da família a identidade de seu pai, que sabia estar em um dos gêmeos.
No jogo de interditos, juntando os cacos do passado, Nael se empenha em descobrir a verdade e, somente após trinta anos, quando quase todos já estão mortos, é que parece motivado a olhar para as personagens.



O que mais gostei nesse livro é como o autor coloca cada pedacinho da cidade de Manaus nessa história. Milton Hatoum relatou muito bem a nossa cidade com essa história envolvente.
Alguns fragmentos do livro, pra vocês se deliciarem com essa terra encantadora.

"Uma brisa soprava do rio,trazendo pitiú de peixe, o cheiro de frutas e pimenta." (pg 53)

"Levava-os para pescar no lago do Puraquecoara" (pg 53)

"Perto do Hotel Amazonas, ele parou diante da barraquinha da dona Deúza, tomou duas cuias, sorvendo com calma o tucupi fumegante, mastigando lentamente o jambu apimentado, como se quisesse recuperar um prazer da infancia." (pg 85)

"Nunca comemos tão bem. peixes os mais variados, de sabor incomum, cobriam a mesa:costela de tambaqui na brasa, tucunaré frito, pescada amarela recheada de farofa. O pacu, o matinxã,, o curimatã...Até calderada de piranha...E também pirão e sopas com sobras de peixe, farinha feitas das espinhas e cabeças, bolinhos de pirarucu com salsa e cebola." ( pg 122)

Tenho certeza que a Ju do blog: /a ship made of the books vai adorar esse post e recordar com agua na boca cada peixe aqui comentado.

4 comentários:

Minerva Pop disse...

Nossa Juliana, que Post bem feito!!!! Foi conferir esse livro,com certeza.

Anselmo - Minerva Pop

Ju Haghverdian disse...

Aaaaaai, escolheste muitisssimo bem as frases para rechear o final da resenha! Peixe assado eh o que mais sinto saudade quando penso na minha terra... tambaqui assado, da agua na boca soh de pensar!

Assisti uma palestra do Hatoum na UFAM, falando desse livro. Ele é super fã do Flaubert... vai entender! ahsuahsuhs

Boa lembrada Ju, boa escolha =D

Minerva Pop disse...

Olá, Ju!
Confesso que estou devendo mais visitas e participações no seu blog, mas não só aqui. Tenho estado ausente do A Ship Made of Books, por exemplo e de muitos outros que habitualmente eu leio. Este "relaxo" deve-se a uma época turbulenta no trabalho que deixou pouco tempo até para o Minerva Pop. Mas já esta passando e acho que até a semana que vem devo retomar minha rotina de contatos com os blogs amigos e bacanas como o Cia do Livro.
Sobre o post, nunca li nada do Milton Hatoum, mas sei de sua reconhecida competênci como escritor. Com a indicação da amiga, entra na lista (longa...) de descobertas dentro deste vasto universo que é o mundo dos livros.
É isso! Obrigado pelas visitas e participações lá no Minerva. Te espero mais vezes e conte comigo numa frequencia maior em breve... Beijos
Sandro

Laura disse...

Oi Ju! Nossa, me deu mt vontade de ler esse livro. O enredo parece ser mt envolvente. Ótima resenha!

Passa lá no blog que tem resenha nova tb! =o)

Beijo!